Fim dos tempos
Talvez eu não seja a única, mas ironicamente as redes sociais vivem usando termos que me ferem. Disponível, o que isso pode significar? Quantas pessoas estão disponíveis? Eu posso olhar para o lado e saber que tem alguém 24h ao meu lado, mas quase sempre indisponível para um bate-papo com conexão. Sem acessibilidade ao livre pensar. Eu, por outro lado, sou a mais indisponível das pessoas. Sempre ocupada com minhas próprias demandas, e agora as dela. Tão imersa em não se dispor. E por isso mesmo Tão pouco interessada em buscar outras alternativas pra a indisposição no amor. Joguei a toalha, se eu não vou e tornar disponível, não poderei mais ter meus descompromissos conjugais. E ao mesmo tempo, comprometo um presente, um furuto sem contentamento. Então, vê a ilógica do sistema. Nem na terapia, resolvo esse dilema. Todo mundo indisponível. E eu devo me conformar. Ou diria, que estamos dispostos a manter isso? Em tempo real, mas em que realidade? Conectividade? (É sério isso?). Apegos Tão desapegados. Uma rede que embala meus sonhos bem pra longe. Uma rede de contato, sem pele. Sem toque. Um touch-screen q de nada me vale. Uma tela que vibra à base de energia. Uma energia morta que derruba a alma. E ficamos batendo na mesma tecla, de que aquilo que parece ser desinteresse é cheio de interesses desinteressantes, e o interesseiro é despojado dos interesses unicamente picantes. Nessa ciranda, do meu silêncio à minha baixa capacidade de me comunicar o desfecho é só lamentos até o fim dos tempos.
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