Eu preciso escrever, descrever, reescrever estes momentos. Gostaria muito que fosse em forma de poesia, pois inspiração para isso eu tive. Mas a urgência de registros minucioso me impossibilita de me prender em formas. Não me importa se não tem estrutura poética, arranjos e rima. Tudo continuo romântico, arquitetado e sublime. Eu vivi o 'muito', e 'muito' do que eu não sabia. Eu vivi o 'muito' e o 'muito' que eu ouvi falar. Eu vivi o mundo e o mundo me pareceu fantástico. Não preciso dizer que muito nesse caso pode ser muitas pessoas, muitas experiências, muitas relações, muitas dinâmicas, muitas diferenças, muitas diversões, muitas seriedades, muitas coisas novas e muitas, muitas surpresas.
É maravilhoso a correria, a ânsia de importância, a isquemia. O frio aquecedor, lotação no corredor, a agonia tão calma. É revelador para mim, me mostrar tão urbana. É sedutor me perceber tão humana. E diante de tantas sensações, tanto térmica, quanto àquelas lubricadas na alma...uma certeza de estar no lugar certo e fazendo o que é certo.
Se eu fosse descrever que o céu não é tão azul quanto aqui, que o vento não balança açaízeros, que o bom dia é tão seco quanto clima, e que o amor não existe em SP, estaria perdendo a percepção do lugar e me prendendo em uma mera visão comparativa. Minha vontade é de relatar que o barulho amedrontador do metro me parecia como a morte chegando, que o grito dos trilhos me diziam que é uma tortura, que os sons dos pés na nossa cabeça parece que todos te pisam e te mostram o qual amedrontador é uma metrópole e quão insignificante vc pode ser, mas aí estaria me prendendo a cognições históricas de um norte coitadinho. O que vou mesmo dizer é que o gemido da pinacoteca é excitante, ao mesmo tempo que um lugar medieval, de cavaleiros, princesas e mundo real. Enquanto a maneira extrovertida da cidade te induz mudar. Vou dizer que a língua portuguesa é maravilhosa, mesmo cheia de sotaques internas e externas, de falares tão comunicativos e de tantos 's', de tantos 'n' que o alfabeto fica mais vivo.
Vou morrer ao relembrar o museu, querer controlar a cara de cabocla ao ver meu queixo cair no colo do Jorge Amado e amar. E imaginar meus poemas gravados naquelas paredes, tetos e chãos. E ver o quanto de luz tem na estação da luz, que iluminou meu olhar diante da multidão e de velhos trens em sua mansidão.
Mas tantas faces teve essa viagem, poética, de ócio, de pressa, de trabalho. E antes de me adentrar na delícia acadêmica, comentar a culinária diversificada, da Bella Paulista, da famosa Starbucks e do mercadão deixarão eu salivar.
E como deixar de escrever o moralismo de Belém desaparecer, na rua Augusta se revelar, nas mãos dadas, beijos e cabelos assustados, da fumaça sem cheiro de tabaco, da noite de vermelhidão e palavras escrachadas. Parte do que eu nunca vi, mas parte do normalismo que deverá ser encarado, embora de jeito meio acanhado, de quem viveu cheio de normas de como viver.
E finalmente, no meu lar, a doce universidade a estalar. Pixações na parede, da qual estava a desmoronar...e quase explodindo de conhecimento e doutores a filosofar. Não pude deixar de procurar o buraco pra me enterrar quando provaram o quanto eu era fã das pessoas que me cercavam de gentilezas cordiais. Me debrucei na minha cama de livros aconchegantes e percebi o quanto eu acho entusiasmante esperar por mais um dia no meu sonho real de realeza.
O silêncio à palavra
Discutir palavras pensadas, Pensar em palavras ditas. Analisar o meu silêncio substancialmente
sábado, 26 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Me deparei com uma parada
DESPREPARAÇÃO:
PREPARA AÇÃO
REPARA AÇÃO
PREPARADA
PRÉ-PARADA (CARDÍACA)
PARADA
PARÁ
EQUIPARAR
E QUE PARÁ?
NÃO PARA
PREPARA A ALMA
PARAR A CALMA
ESPERAR NA PARADA
ESPERAR PARADA
ESPERAR POR NADA
PARALISAÇÃO
PARÁ PARADO
PARÁ SEPARADO
PARA SER PARADO
PARÁ ALIENA AÇÃO
PARA ALIENAÇÃO
ALINHA A AÇÃO
ENTRE PARAR E PREPARAR
ENTRE PARAR E SEPARAR
ENTRE PARAR E REPARAR
ENTRE PARAR E EQUIPARAR
ENTRE PARAR E SE DEPARAR
PREPARA AÇÃO
REPARA AÇÃO
PREPARADA
PRÉ-PARADA (CARDÍACA)
PARADA
PARÁ
EQUIPARAR
E QUE PARÁ?
NÃO PARA
PREPARA A ALMA
PARAR A CALMA
ESPERAR NA PARADA
ESPERAR PARADA
ESPERAR POR NADA
PARALISAÇÃO
PARÁ PARADO
PARÁ SEPARADO
PARA SER PARADO
PARÁ ALIENA AÇÃO
PARA ALIENAÇÃO
ALINHA A AÇÃO
ENTRE PARAR E PREPARAR
ENTRE PARAR E SEPARAR
ENTRE PARAR E REPARAR
ENTRE PARAR E EQUIPARAR
ENTRE PARAR E SE DEPARAR
terça-feira, 3 de abril de 2012
Vida de aposentadoria
O indivíduo nasce
nem sempre, nem tanto
[cresce
Teoricamente desenvolve
Praticamente já morre
O sujeito age
nem sempre, nem tanto
[interage
Quase nunca se verbaliza
e no predicado pisa.
O homem sonha
mas vive tratoria
nem sempre, nem tanto
[ama
e espera a aposentadoria
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Máquina humana
Que natureza é essa?
Tão artificial
Esquece da luz
Contempla o banal
Mas o que é ideal?
Na cabeça montada,
Engrenagens exatas
E uma vida sacal?
O bolo acabou
Nada do primeiro pedaço
A vela apagou
Fim do estardalhaço
O que há lá fora?
Perdi a comemoração
Pagar os juros de mora
do trabalho e do coração
Um suspiro me resta
Me projetaram errado
Decepção na testa
Desse jeito vago.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Plano de fuga
No pano de fundo, um plano de fuga.
E só não sucumbo por que não te suga.
Nos pés a prisão, no céu a liberdade
No corpo a paixão, na alma a verdade.
Onde for a casa não muda
Face triste, alegria surda
Uma mentira dita de certa
O desânimo doentio me cega
Já não sei mais do que fugir
Seria de você, do mundo ou de mim
Está chegando ao fim...
a dor, o ano ou o sim.
O movimento do legítimo
O sentimento no íntimo
A instituição da fugida...
E a vida continua fu*
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Fuga das galinhas
O interesse por coisas aparentemente (e fundamentalmente) desinteressante é uma fuga, mas a fuga mais despreza de subterfúgio espiritual, sentir que está fugindo sem conseguir sair do pensamento fugitivo é a mais frustrada das minhas contradições neurológicas, como se a lógica dos neurônios obedecesse algum princípio físico neoliberalista. Mas diante de tantas frustrações e incógnitas do porquê de tanto cansaço que não se cansa, ou o porquê do descompromisso que se compromete em coisas fúteis, eu me posto aos deuses que rogam por minha vida, assim como aos demônios que circulam minha moradia. Tenho certeza que não sou a única a desenvolver os sintomas de crise de vontades adversas do corpo, alma, coração e espírito, mas posso considerar a possibilidade de ser a única preocupada com isso. Corpo, almeja descanso e cansaço ao mesmo tempo. Alma, precisa de calma e tensão, ao mesmo tempo. Coração, carece de família e amor, ao mesmo tempo. Espírito necessita de aventura, lazer, calma e relaxamento. "Senhor, me dê desprendimento dos bens terrestre"; "Mundo, traga-me de volta do reino dos céus". Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, oras ardendo, ora voando. Se não puder mais me desvencilhar dessa vida de purgatório, não sei como poderei cessar minhas indecisões. Preciso dizer sim para o que realmente tenho de valia sentimental, e dizer não para todos os meus esconderijos do caminho da felicidade. Eu sei que consigo.
terça-feira, 26 de julho de 2011
O silêncio à palavra de Pessoa
Não digas nada!
Não digas nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vâ
Toda esta viagem
Até onde quis.
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.
(Fernando Pessoa)
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