Paradoxo
Eu mergulho de cabeça nas minhas relações rasas e isso me machuca gravemente. Ensanguentada, aguento firme na crença de que não é possível, que um mar que outrora fora profundo, esteja seco. Eu insisto e mergulho no deserto do abandono, e me afogo no meu pranto, à quilômetros de distância dessa modernidade líquida. Liquida-me, logo, de uma vez por todas, quando descubro que estou tão só no vazio das minhas relações e descoberta de razão. Lá no fundo do poço, eu olho as estrelas e penso que, lá distante, no universo paralelo, se eu olhar pra essa Terra vou ver que, ainda, estou no planeta azul, que é coberto de 70% de água. Acontece que é só na superfície. Mas o que aconteceu com as profundezas do oceano? Eu mergulho fundo na minha fugacidade, e eu confesso, minha mente nada em delírios, eu sinto minha alma ser rasgada. Minha mente anda poluída... eu queria você e estou toda molhada, mas você está na frieza do deserto noturno. Eu queria você dentro de mim. Mas eu estou por fora, totalmente por fora da sua vida. Por fora de mim, eu estou perdida nesse reencontro à distância, tão distante de te encontrar enfim.
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