Sobre aprender a ser só
Os primeiros raios surgiram quando eu ainda pensava na programação inexistente do dia. É um dia adolescente, em que não se tem hora para acordar. Deve ser pela rebeldia de poder, que se acorda mais cedo ainda. Foi neste despertar, que pensou-se em não mais esvaziar a caixa de pensamentos e enchê-la ainda mais. Vai que transborda os pensamentos ruins, enquanto um rio de novas idéias se derrama continuamente enxaguando o quarto bagunçado. Foi em um mergulho profundo daquele rio, sem dúvida, alguma coisa se modificou. As palavras ressoavam na mente, mas aquilo era refletido como um feixe de luz que iluminava todas as partículas da vazante, mas esta continuava a jorrar sem cessar. Preciso construir uma barreira. Somente com uma barreira eu posso impedir que iluminações realmente boas, não sejam tão banalmente desperdiçadas pela minha falta de energia. A barragem tava alcançando às montanhas geladas, quando me dei conta que eu estava travada novamente com a mais impura água que poderia preencher meus pensamentos. Essa não, o que poderia ter contaminado meu momento iluminista. O céu obscureceu, nem mesmo uma partícula iluminada podia me fazer enxergar a porta da esperança de iniciar o processo do rompimento da barragem. Mas alguém abriu a porta, mal pude avisar que uma avalanche de maus pensamentos iam inundar o mundo inteiro com um rio de crueldade e maldições. Eu os afoguei. A biodiversidade toda morta ao meu redor, não me deixa comemorar o fato de eu ter me livrado daquela enchente do mal. Esvazie por inteira, mas eu havia contaminado a todos. Ninguém merecia tamanha irresponsabilidade. Então, estou aqui com a caixa vazia. Tão seca e fria. Esperando por uma gota pura de amor. Mas não há nem mais uma gota d'água . Eu só queria me salvar. Entre afogados e feridos, todos fugiram. Com minha mente fugitiva tento me convecer de que não me importo. A porta está fechada, não tem mais como machucar ninguém. Então, batam antes de entrar.
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