Calada!

    Medidores, indicadores, status. Piedade, ódio, sofrimento. Quanto dessas palavrinhas eu preciso ouvir, ler, escrever. Quanto basta para eu conseguir viver. A repetição é tão rotativa... tão rápida, mais rápido do que o crescimento de pelo indesejável pelo corpo. Perder, ganhar, ser o melhor. Esforçar-se pouco para alcançar o mínimo necessário. Perguntas educadas de o quanto estou bem, sem querer saber a resposta, ao mesmo tempo em que se irrita pelo fato de eu também não querer saber a resposta e por isso mal educadamente nem pergunto. Quem será o mais mal educado? Estou com o humor variante e isto vai afetar quem mais eu não gostaria. Quando eu consigo tapar um buraco, uma cratera se abre, expondo-me pra milhões de pessoas do quão eu sou errada. Aí eu rolo uma pedra que se forma numa avalanche de pensamentos, e aquela bola de neve preenche o buraco, de maneira a me deixar provisoriamente feliz, até que o aquecimento global faz com que aquela neve derreta e forme uma levedura que entra em erupção e a larva destrói tudo mais que está por perto. Então, o esfriamento da terra faz tudo normalizar, nascendo a natureza e os animais, e uma minhoca abre um buraco na minha cabeça... E essa política de tapa buracos não tem fim. O fato é que eu não tive aquele momento de epifania em que eu consigo desenvolver o máximo de coisas possíveis para que eu alcance as três primeiras palavras, mas não me impede de eu completar logo em seguida as outras três palavrinhas perturbadoras. Eu preenchi o vazio antigo que me deixava infeliz, aquela saudade imensa que prejudicava meu status psicológico. E preencher esse específico vazio me deixou vazia por inteira, como eu faço para conseguir ser completa? eu sempre vou reclamar da vida. Eu sempre vou querer perdê-la. Perder na vida, perder tempo na vida, perder...perder..perder a cabeça, perder, perder, perder as chances de me calar!

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