De nada!
Eu fico aqui pensando a quantidade de explosões de substâncias químicas no meu circuito cerebral desencadeado pelo simples fato de eu nada fazer. O nada. Tão relativo nada, seria capaz de alimentar cidades inteiras na quantidade de energia interna produzida na imensidão de acontecimentos que ocorre durante a definição de um dia em que não se fez 'nada'. Não é de se estranhar que as maiores invenções da transformação do nosso mundo não tenham nascido do que se considera importante fazer no cotidiano rotineiro da sociedade. O ócio produtivo e reprodutivo. Porque só na produção do nada e na repetição do que pode ser o nada é possível construir um espaço fecundo de criações do tudo. É, tão somente, esse nada, esse vazio externo o grande impulsionador para os mais poderosos processos de programação e cognição internas que gera a utilidade do que pode ser considerado algo produtivo no futuro. É por esse nada a fazer, que as mentes mais brilhantes da humanidade geraram transformações que ofereça menos trabalho e esforço braçal capaz de nos diferenciar dos irracionais. Ah, esse nada. Essa tão genial arma de posse de qualquer um. Essa ausência que nos faz tão presente, nos faz sentir presente, nos faz sentir como se fosse um presente. Esse nada que pode ser sim algo simplesmente autofágico, que engole a si o processo mental, tornando-se paralisante, e gerando caminhos que nos levam do nada a lugar nenhum. Lugar, este, tão comum a pequinês de sentimentos negativos e destruidores da realidade ou de egos que um dia poderiam mudar o mundo. No entanto, esse nada, tão esperto, tão frutífero, é capaz de tornar todo esse sentimento em uma nova criação, tão bem dominada pelos artistas, composições, peças, dramaturgias, música, melodia e o prazer de desfrutar dos frutos do nada é tão maravilhoso quanto fazer isto no momento do nada fazer. Então, se me dizes que eu sou um serzinho de nada, eu agradeço. De nada!
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