Divagando
Meu corpo sente as dores da tua ausência. Minha mente sente as dores da minha ausência. Ah, estás tão distante de mim. Estou tão distante de mim mesma. Tão contrariamente do meu desejo, a presença de angústia, medo e solidão me abatem e só nos braços da tua voz sossegam da turbulência inevitável de um coração voador de céus nublados. Ah, quando o dia clareia e os tons de cinzas não se apagam, chove os rios que não cerceiam pela falta do mar. Duras semanas de moleza pautadas na espera da aterrissagem mal preparada de um piloto que perdeu o controle da viagem. Ah, essas viagens cada vez mais longas, cada vez mais loucas, cada vez menos inspiradoras, cada vez, cada vez, cada vez mais cadáveres nesta vida de vilões que rapidamente renascem heróis da história das capitais pecadoras diante das virtudes vitais para atingir os pecados capitais. Não, não dá mais. Para esperar por um próximo capataz responsáveis pela decapitação de sonhos e aprisionamento de imortais. Se a imperfeição ganha sempre congratulações, que a pálpebras fechem todas as ilusões num piscar de olhos da roleta desafiadora dos perigos transitórios do avanço da relação do meu eu com a distância do seu eu com minha presente ausência de sempre. E nunca, nunca mais, eu precise me distanciar dos meus pensamentos elucubradores das minhas certezas insensatas de que o errado sempre supera a verdade dos corações encurralados pelas necessidades inerentes ao mundo moderno de aspirações nada divinas e indevidas. Mas que sempre, sempre eu possa esperar por mais um breve momento de não duvidar, e esperar, esperar, esperar-te na esperança de nada disso se perpetuar.
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